O Atelier em Nova York

Em 2005, fui convidado a ir a Nova York trabalhar na restauração de alguns instrumentos e analisar a possibilidade de instalar um Atelier lá.
A viagem foi um sucesso e desde então venho trabalhando lá todos os anos.
O crescente interesse dos músicos fez com que nós montássemos uma "filial itinerante" de nosso Atelier na propriedade de um amigo colecionador de instrumentos.

Minha intenção é passar alguns meses por ano lá e o restante do tempo em São Paulo.
Sempre trabalhando e procurando o melhor para os contrabaixistas do Brasil, eu estou fazendo hoje o oposto do que foi feito nos últimos 100 anos: no passado os instrumentos bons foram levados do Brasil para serem vendidos no exterior onde alcançavam preços muito maiores.
Agora estamos trazendo de fora contrabaixos europeus, de autor, a maioria com mais de 60 anos para serem vendidos aqui em nosso Atelier.

O primeiro lote de 12 instrumentos chegou em 2006, foi restaurado e vendido.
São instrumentos construídos com madeira de excelente qualidade e como merecem os contrabaixistas brasileiros.

Esta é a casa. Um local muito tranquilo e a 100 metros da praia.
Estes são alguns dos baixos que estavam esperando para serem restaurados.
Os baixos de Nova York já começam a ficar felizes.
Parece que todos os baixos da cidade foram parar lá.
Esse é meu grande amigo Jack. Colecionador e conhecedor de instrumentos.
A pessoa que mais conhece sobre instrumentos musicais com quem eu já tive a oportunidade de conversar e mais um grande mestre em meu aprendizado constante.
Contrabaixo sendo fechado após regraduação e afinação (tap tone) do tampo.
Fundo durante o trabalho de regraduação e afinação.

 

O fundo já pronto.
Um tampo sendo colado após restauração de rachaduras.
Alguns baixos tem o braço colado em posição errada e devem ser corrigidos.
Para aproveitar o pouco tempo trabalhando em Nova York (cerca de 2 meses em agosto e setembro de 2005) vários baixos eram feitos ao mesmo tempo.
É indescritível o prazer que sente um lutier ao trabalhar e manipular instrumentos como esse Bernardel com cabeça de leão maravilhosamente entalhada e em perfeito estado.
Outro instrumento restaurado lá, um Mougenot de 1924.
Paul Nowinski (New York Voices entre outros) visitando seu baixo durante a restauração...
... e tocando depois de pronto.
Esse baixo era para ser vendido para um músico de Detroit mas ele ficou tão bom
depois da restauração que o Paul desistiu da venda e toca com ele até hoje.

 

Uma preciosidade. Um autêntico Testore avaliado em mais de duzentos mil dólares.
Aproveitando a viagem para visitar artesãos como Lou de Leone...
...ou meu amigo Ken Parker (criador da guitarra Parker Fly)

A viagem ainda proporcionou a compra de mais madeiras dos Balcãs, África e Canadá sendo que hoje possuímos um estoque grande com variedade e qualidade indiscutível.
Entre outros investimentos, eu trouxe ferramentas e equipamentos para modernizar o trabalho e obter o máximo em qualidade nas restaurações e construções.

Hoje, nós mapeamos a espessura de um baixo inteiro sem a necessidade de abrir o instrumento, temos equipamentos de análise acústica (veja a página sobre o Laboratório de Acústica), possuímos aparelho para medição da temperatura de superfície, pressão da alma, sistema de afiação desenvolvido por Ken Parker, entre outros.

Essa sempre foi a política do nosso Atelier: investir todo o nosso lucro na melhoria do atendimento, do nosso conhecimento e do nível de nosso trabalho.
Estou sempre me atualizando, estudando, fazendo cursos, comprando livros, pesquisando em meu Atelier e discutindo com os amigos conhecedores e músicos.
Isso faz com que os nossos clientes se sintam sempre mais valorizados e seguros.

 

Depois de minha estada em Hattiesburg em maio de 2006 (veja página neste site) retornei ao atelier de NY para trabalhar em um maravilhoso contrabaixo do início do século 18 e algumas violas da gamba.

Este contrabaixo foi construído por Mateo Alban (1650-1715)
e demonstra o grau de habilidade do mestre de Bolzano.

Veja mais fotos deste maravilhoso instrumento:

Fiz apenas um trabalho superficial para que o baixo pudesse ser tocado.
A restauração definitiva será feita mais tarde.

A madeira usada na construção deste baixo pode ser considerada como
de altíssima qualidade mesmo para a construção de violinos.
São cerca de 30 anéis anuais por polegada e um trabalho artesanal de alto nível.

Além do contrabaixo Mateo Alban em 2006 eu também trabalhei em algumas gambas como estas.

 

Minha experiência em Nova York tem sido muito gratificante e fiz muitos novos amigos entre os músicos americanos.

Desde a primeira viagem em 2005 venho retornando a NY todos os anos para trabalhar e aprimorar meus conhecimentos.

Os trabalhos que requerem mais tempo ou o uso de ferramental e equipamentos específicos são levados para o atelier em São Paulo onde são realizados.

O reconhecimento de um profissional, de uma área onde não existe tradição em seu próprio país, por parte do exigente público americano nos orgulha e incentiva.

É o valor do brasileiro sendo reconhecido no mundo.

 

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