Não se deixe enganar
pelas práticas aqui relatadas

Quando iniciei na Luteria, há mais de 35 anos, ainda existia uma prática que vinha do século 18 e que consistia na "parceria" do lutier com o professor de música para a venda instrumentos novos ou usados e a realização de restaurações.
Esse assunto gerou até livros e discussões com as mais variadas opiniões a respeito da seriedade e honestidade de certas práticas.

Alguns professores chegavam a ganhar mais que os lutiers e mais do que dando aulas de música, apenas revendendo o trabalho do lutier.

Uma vez que o aluno iniciante pouco sabe, é comum que quando um professor vende a ele seu instrumento este é, sem sombra de dúvida "excelente" pois era o " instrumento do professor" e , satisfeito, o pai paga pelo instrumento certo de ter comprado o que havia de melhor. A realidade quase sempre é diferente.

Se o instrumento é realmente excepcional, e se o professor é realmente bom (e, portanto, deveria reconhecer um instrumento assim tão bom) por que vendê-lo? E por que vender outro algumas semanas depois, e outro e mais outro?
E por que não permitir que o comprador procure por um lutier especializado para mostrar o baixo ANTES da compra?

Algumas pessoas vinham fazendo dinheiro com esse tipo de prática e, desde o início minha posição foi de sempre dizer a verdade aos clientes e nunca dar a entender que o baixo de determinada pessoa deveria ser comprado caso não achasse que isso era realmente verdade. Não foram poucas as vezes que recebi propostas para "empurrar" um contrabaixo para qualquer cliente e dividir o lucro com o professor depois.

Algumas vezes, alunos desse tipo de gente inescrupulosa vinham a meu atelier certos de terem a maior maravilha do mundo e que necessitavam apenas de alguns ajustes, mas o que eu encontrava era um instrumento de péssima procedência e/ou estado de conservação.

É claro que minha posição nestes casos gerou um desconforto por parte desta verdadeira "máfia" e, ainda hoje, existem professores que me evitam e vivem tentando formas de denegrir minha imagem ou desmerecer meu trabalho depois de terem negócios desfeitos, pois eu disse a verdade ao interessado que me procurou.

Nos últimos anos, de tempos em tempos, surge algum "especialista" indicado por essa turma: um músico que "também conserta instrumentos", um aposentado no interior, um espertalhão sem formação, e por ai vai, sempre na tentativa de obter o apoio necessário para fazer a dupla professor-lutier.

O tempo mostrou que eu estava com a razão. Com mais de 35 anos de profissão só vejo o horizonte crescer à minha frente com conquistas alcançadas no Brasil e no exterior com muito trabalho e seriedade, enquanto vejo essa gente perdendo os melhores trabalhos, obtidos por força da "panela" mas que não resistem ao tempo, como a mentira.

Pretendo continuar com a mesma atitude que sempre tive em toda a minha vida profissional:

Avalio gratuitamente qualquer instrumento trazido a meu atelier ANTES que a pessoa o compre.
Desta forma uma opinião confiável e abalizada será o guia do futuro proprietário de um instrumento e não o bla-bla-bla de "professores-vendedores" interessados e interesseiros.

Fique de olho e não se deixe enganar..

 

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Outra prática que nunca adotei foi a do endorsement. Isso é quando uma empresa paga um músico para falar que usa determinado produto e aparecer em revistas e outros meios.

Muitas vezes essa forma de iludir vem não no formato de um anúncio publicitário mas dentro de um artigo em alguma publicação "especializada". Essa é a forma mais enganadora de todas.

Eu nunca paguei ou dei qualquer desconto para que qualquer pessoa fizesse propaganda de meu trabalho. Todas as opiniões neste site e em outros locais são opiniões espontâneas dos músicos satisfeitos e todos os proprietários de meus instrumentos pagaram por eles o preço justo.

Ao contrário do que saiu publicado numa revista de baixo elétrico eu não tenho nenhum acordo de endorsement com o virtuose Marcos Machado. Ele encomendou e pagou por seu instrumento como todos os músicos que encomendaram a construção de instrumentos.

Se você lê uma revista estrangeira especializada em contrabaixos, você vai ver, por exemplo, que o John Patitucci "usa" quase todos os captadores que existe. Ele está em todos os anúncios de captador. É ridículo! Quem tem mais dinheiro paga os mais famosos para fazer endorsement.

Tenho um amigo que vivia querendo que eu lhe desse um baixo de graça dizendo que tinha muitos alunos e venderia muitos baixos mas eu nunca aceitei esse tipo de coisa e hoje vejo que ele encontrou, finalmente, uma fábrica que lhe deu todos os baixos que ele quis de graça em troca da propaganda que ele deve fazer.

Por este mesmo motivo eu não apareço ou tenho coluna em revista especializada em contrabaixos no Brasil pois eu teria que anunciar na revista e caso tivesse opinião adversa em um artigo eu seria obrigado a não ir contra algum anunciante, interesse ou coisa parecida. É tudo apenas negócio, interesse e dinheiro.

Isso tudo é muito fácil de se entender. O dinheiro compra a evidência e a exposição de determinado produto na mídia mas a seriedade, o foco e o trabalho dão solidez a um nome que está no mercado há três décadas.

Agradeço às centenas de amigos que, de alguma forma, participaram desta caminhada.

Ultrapassamos a restauração número 1910 !! Um marco no Brasil e no mundo.



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