O laboratório
de acústica

Muitas pessoas dizem que as mãos de um lutier são valiosas pois fazem um trabalho especializado e delicado, esculturas sonoras, obras de arte, mas é o ouvido musical treinado que faz de um lutier um mestre da arte.
A técnica do Tap Tone, parte essencial no arsenal do Mestre Lutier, consiste em dar batidas com os dedos nas madeiras para encontrar a nota emitida naquele ponto específico bem como a nota da peça como um todo.

Sempre à frente na pesquisa, restauração e construção de contrabaixos, nosso Atelier conta com avançados métodos de medição e análise acústica como aliados ao tap tone e outros procedimentos.

O ouvido científico aliado à pesquisa incessante e ao amor pelo instrumento são os fatores que nos levaram a desenvolver nosso próprio sistema acústico. Os aparelhos do nosso Laboratório de Acústica nos permitem mostrar graficamente aos clientes as variações sutis na resposta sonora de um instrumento e facilitam a obtenção de dados impossíveis de se obter apenas com o ouvido humano.

Com esse laboratório é possível, entre outras coisas, estudar as freqüências de um instrumento e comparar os gráficos feitos antes e depois de mudanças como a posição da alma, por exemplo.

Outra aplicação útil é durante a construção de um instrumento: um contrabaixo de qualidade não é apenas uma caixa feita com mais ou menos capricho, ele é uma máquina acústica que deve responder da melhor maneira possível em todas as regiões como é o desejo de quem o toca, além de ser ergonomicamente correto.
Durante as duas últimas décadas venho desenvolvendo meu próprio método de desenvolvimento acústico adaptando estudos feitos anteriormente por Carleen Hutchins, Anatoly Leman
e Isaak Vigdorchik entre outros e descobrindo como adaptar e desenvolver um sistema que funcionasse para o contrabaixo, pois as poucas pesquisas existentes se limitam ao violino.

Vou tentar aqui ser pouco técnico para dar uma explicação que seja acessível a todos, mesmo que sem conhecimento de acústica.
Estes são alguns dos aspectos que existem na construção de um instrumento musical de qualidade quando construído com base na propriedade acústica dos antigos mestres e como alguns aparelhos específicos são usados hoje em nosso Atelier.

Além da frequência da massa de ar dentro de um instrumento (que se encontra utilizando um gerador de sinal e o ouvido treinado) e da frequência da madeira do baixo como um todo (a qual se obtém com o ouvido treinado para o "tap tone"), o tampo e o fundo são "afinados" durante sua construção para produzirem freqüências desejadas e alguns exemplos dessas aplicações seguem abaixo:

Acima, um alto-falante preparado numa cama flexível e a seguir um tampo de abeto dos
Balcãs antes do corte dos Fs sendo preparado para a aferição do 5° modo.
Esse é o modo de frequência mais importante nesta fase da construção de um tampo.
1- Depois de graduado conforme o tap tone (já descontados os Fs, a futura barra harmônica e o verniz no cálculo da peça pronta), o tampo é suspenso por sapatas especiais de silicone e é espalhado um pó colorido por toda a sua superfície.
2- Um sinal de baixa frequência é enviado por um oscilador ao alto-falante o que provoca a vibração simpática do tampo.
3- A vibração é análoga à de uma corda quando se toca seus harmônicos. Os nós de frequência ficam estáticos enquanto o restante da peça vibra intensamente.
4- Quando o 5° modo é alcançado forma-se um desenho que deve coincidir com o 5° nó de frequência no tampo.
A correta aferição do 5° modo aumenta a resposta (amplitude, volume)
do tap tone do tampo em relação a sua nota principal.
O local onde se vê o acúmulo do material azul permanece parado enquanto as
bordas do tampo chegam a vibrar tão rapidamente que é impossível focalizar a olho nu.
Alguns aparelhos em unidade móvel: computador, oscilador de áudio e amplificador
usados para reprodução e gravação de sinal e resposta dos instrumentos.
Um instrumento já acabado e sem verniz é analisado utilizando alto falantes interna e externamente, no fundo e no tampo, para se encontrar as diferentes freqüências de locais específicos e proceder ao "casamento" dessas freqüências (mode matching).
"Flutuando" na base de análise um instrumento recém restaurado tem seu
desempenho registrado e analisado por meio de um osciloscópio.
Esse é um baixo francês do século 19 e sua restauração é mostrada em outra página neste site.
Uma de nossas invenções: um aparelho para medição precisa de sustain entre outras funções.
Alguns dos gráficos que são observados: Osciloscópio, Espectrômetro e Analisador de Espectro.


A correta interpretação dos gráficos permite uma "radiografia" do som e dos harmônicos que o formam. A comparação demonstra a otimização das relações acústicas no instrumento.
Marc Johnson na "câmara de tortura" onde seu baixo foi colocado após a restauração.
A correta leitura dos dados colhidos permite o correto ajuste para que o instrumento renda seu máximo.
Os dados colhidos são mostrados e explicados aos clientes e , se necessário, um "ajuste fino" pode ser feito para acomodar o estilo e modo de tocar do músico.

Estas longas conversas com músicos desse porte, durante três décadas, é que nos ajudaram a melhor compreender o contrabaixo e seus executantes.

É esta integração entre músico e lutier, aliada à técnica, o estudo e à utilização de aparelhos sofisticados, que torna nosso trabalho requisitado no exterior e traz a nosso país músicos como Marc Johnson para terem seus instrumentos restaurados ou construídos aqui.

Não é necessário explicar o que o Marc sentiu quando tocou seu instrumento pela primeira vez após a restauração e ajuste de freqüências (mode matching).

 

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