Câmara de raios ultra violeta

Sendo o mais avançado Atelier em nosso país, e entre os melhores do mundo, investimos todos os nossos recursos no aprimoramento de técnicas e no desenvolvimento de sistemas que possam criar confiabilidade e a segurança de estar realizando nosso ofício da melhor maneira possível para os instrumentos.

Um dos novos recursos, em uso desde 2006, é a Câmara de Ultra Violeta.

A luz solar sempre foi importante na arte da luteria. Um dos poucos documentos preservados que contém a assinatura de Antonio Stradivari é uma carta onde ele se desculpa pelo atraso na entrega de um instrumento colocando a culpa na falta de sol.
O que nos interessa no espectro da luz solar, hoje nós sabemos, são os raios UV A.
Na foto acima se vê os controles de temperatura e umidade, interna e externa da câmara e os mapas de controle onde são anotados de forma metódica e diariamente dados como a umidade das madeiras, temperaturas e notas resultante do tap-tone.
Jorge Helder protegido por óculos escuros em frente da Câmara UV onde se vê tampos, fundos, braços e faixas expostos para bronzeamento antes da montagem do instrumento. Os raios UV atuam desta forma de maneira uniforme tanto interna quanto externamente.

Esse processo é fundamental para que se obtenha a coloração ideal e com a profundidade dos veios realçada antes de se iniciar o processo de envernizamento.
Além de disso os raios UV esterilizam as peças expostas eliminando qualquer inseto ou coisa parecida.
Após alguns dias absorvendo raios UV as madeiras à direita estão com aparência e textura de madeiras mais antigas se comparadas a peças com a mesma idade que não passaram pelo processo como as peças à esquerda nessas fotos.
Após o bronzeamento o instrumento é envernizado e colocado novamente na Câmara para a polimerização do verniz. Esse processo feito usando a luz solar demora entre 4 a 7 semanas dependendo, é claro, do sol. Com a Câmara UV em alguns dias o verniz está pronto para seu acabamento.

Outro inconveniente do uso exclusivo da luz solar é o fato de que todas as cores do espectro são absorvidas, incluindo as Infra Vermelhas e isso aquece muito o instrumento e limita o horário de exposição à parte da manhã ou fim da tarde. Também é necessária muita atenção para não fazer bolhas ou "queimar" o verniz ou até mesmo rachar as madeiras. Isso demanda muito tempo vigiando o instrumento, o que não ocorre com o uso da câmara que permite que se trabalhe em outra atividade enquanto os raios UV fazem seu trabalho.
Nas fotos acima um contrabaixo tomando sol pela manhã no Atelier. A dependência do fator clima.

A Câmara UV facilita todo o processo de bronzeamento e polimerização, além do completo controle do tempo de exposição, temperatura e umidade, internas e externas, e a possibilidade de se ter absorção por centenas de horas seguidas em apenas alguns dias.

 

VOLTAR